Introdução
Objetivo
Compreender as ações que podem e não podem ser executadas com a vítima de acidente, revendo os cuidados para não movimentar a vítima, aprendendo a manusear o extintor de incêndio.
Ações que Podem ser Executadas e o que deve ser Evitado na Ocorrência de Acidentes de Trânsito .
Vimos na unidade de estudo anterior acerca da avaliação secundária que consiste na verificação da extensão dos ferimentos e das fraturas, a quantidade de sangue perdido, etc. Por isso, para entender o que pode ou não ser realizado com as vítimas, veremos a seguir algumas situações e as ações corretas e incorretas.
Desmaio.: É quando a vítima perde os sentidos de forma passageira e momentânea. Os principais sintomas são: suores, palidez, pulso fraco, respiração lenta, vista embaçada e perda temporária da consciência.
O que pode ser feito: deitar a vítima de costas, afrouxar suas roupas. Elevar as pernas da vítima a um nível superior da cabeça. O que deve ser evitado: dar líquidos para a pessoa ingerir, pois ela pode se afogar. Coloque a cabeça dela entre as penas, porque é preciso que o sangue retorne rapidamente ao cérebro com a elevação das pernas.
Convulsões.: Consiste em contrações musculares involuntárias de forma desordenada. Os sintomas são: lábios roxos ou azulados, salivação excessiva, perda súbita da consciência, contrações musculares do corpo e da face.
O que pode ser feito: proteger a vítima, afastando objetos próximos que podem machucá-la, colocar a cabeça de lado para evitar que se afogue com a salivação excessiva, e, se conseguir, deve afrouxar as roupas dela. O que deve ser evitado: tentar impedir os movimentos musculares, ou segurar o seu corpo fortemente. Colocar a mão na boca da vítima para impedir que ela morda a língua.
Hemorragias.: É a perda de sangue devido ao rompimento de uma veia ou artéria. A hemorragia pode ser externa e interna. A hemorragia externa é visível, pois o sangue jorra para fora do corpo através de ferimentos ou orifícios do corpo como boca, pele, nariz, etc.
O que pode ser feito: aplicar uma compressão na hemorragia com gaze ou pano. Apertar, não muito forte um pano, gravata ou cinto por cima do curativo. Hemorragia arterial, causada pela ruptura de uma artéria. Neste caso o sangramento é abundante e a vítima corre risco de morrer. Hemorragia venosa, rompimento de veias. O sangue é vermelho escuro e escorre de forma lenta. Hemorragia nasal, é a perda de sangue pelo nariz. Abaixe a cabeça da vítima, pressione a base do nariz por alguns segundos e peça que respire pela boca. Caso não interrompa, coloque gaze com água fria ou soro nas narinas. O que deve ser evitado: trocar o curativo, o correto é colocar outro por cima para comprimir melhor. Retirar corpos estranhos dos ferimentos. Aplicar substâncias sujas como terra, pó de café, etc. Manipular o ferimento com sangue sem o uso de luvas de proteção.
Hemorragia Interna.: A hemorragia interna ocorre em grandes órgãos como fígado, baço, pulmões, coração, entre outros. É possível identificar uma hemorragia interna quando a vítima apresenta um hematoma (roxo) no local, pulso fraco, pele fria, palidez, lábios, mãos e dedos roxos ou azulados, tontura, sede e perda da consciência.
O que pode ser feito: deitar a vítima de costas e colocar compressas frias no local do trauma. Monitora o nível de consciência, respiração e pulso da vítima, pois ela pode ter parada cardiorrespiratória ou estado de choque. O que deve ser evitado: oferecer líquidos a vítima. Subestimar uma lesão e achar que a vítima está bem e sem ferimentos pelo fato de que ela não tem sangramentos abertos. Fique atento: o estado de choque pode ocorrer em vítimas que apresentam hemorragias, principalmente os sangramentos internos, quando há grandes perdas de sangue é difícil de controlar pelo fato que não são vistas. A vítima em estado de choque apresenta os mesmos sintomas da hemorragia e a principal ação é controlar o sangramento que vimos acima.
Fraturas.: É a quebra ou ruptura de qualquer osso. As fraturas mais comuns ocorrem nos braços e nas pernas. Os sinais e sintomas de uma fratura são: • dor; • inchaço; • dificuldade para se movimentar; • aspecto alterado na parte afetada; • membro em posição anormal.
Existem dois tipos de fraturas, as fechadas e as abertas. Fraturas fechadas são as fraturas em que o osso não perfura ou rompe a pele. O que pode ser feito: movimentar a vítima o mínimo necessário, colocar talas (tábua, papelão, revista ou jornal dobrados) para sustentar a parte afetada. Colocar as talas ultrapassando as articulações acima e abaixo da fratura. Imobilizar o braço junto ao peito. Amarrar as talas com ataduras ou tiras de pano. No caso de fraturas na perna, é indicado colocar a perna quebrada junto com a outra, colocando um lençol ou manta dobrada entre as duas.
Imobilização de Braços e Pés.
O que deve ser evitado: tentar colocar o osso no lugar. Deixar que a vítima movimente o local afetado. Movimentar excessivamente a vítima. Fratura de crânio: na presença deste tipo de lesão, a vítima apresenta os seguintes sintomas: vômito, sangramento pelo nariz, boca e convulsões. Neste caso, cuide para a vítima não engolir o vômito. Não pressione o local da lesão. Se possível, manter a cabeça mais alta que o corpo e não permita que a vítima tome líquidos. Fraturas no pescoço e coluna: essa é uma lesão muito delicada e precisa de cuidados especiais. Seus sintomas são: dor intensa, formigamento e falta de sensibilidade nos membros. Verificar os sinais vitais com regularidade, pois a vítima pode entrar em parada cardiorrespiratória, assim o atendimento especializado deverá ser promovido o mais rápido possível. Fraturas abertas são fraturas nos quais os ossos perfuram a pele e são possíveis de serem vistos. O que pode ser feito: cobrir o ferimento com gaze ou pano. Imobilizar o membro da mesma forma que na fratura fechada. Se tiver hemorragia, controlá-la como vimos nos estudos. O que deve ser evitado: manipular a ferida sem o uso de luvas. Tentar colocar o osso no lugar.
Queimaduras.: São lesões na pele, causadas pelo contato com fogo, agentes químicos, radiação e eletricidade.
A queimadura é classificada em três graus: Queimadura de 1º grau: vermelhidão e dor no local, não forma bolhas. Queimadura de 2º grau: vermelhidão, dor e presença de bolhas. Queimadura de 3º grau: a pele é destruída, atingindo os músculos, nervos, outros órgãos e os ossos. Não causa dor, pois os nervos são destruídos. O que pode ser feito: aplicar água corrente, pano limpo ou compressa umedecida em água ou soro fisiológico no local afetado. Cobrir a vítima com cobertor o mais rápido possível. O que deve ser evitado: permitir que a vítima corra. Arrancar a roupa grudada na pele. Passar óleo, pomada ou outras substâncias como clara de ovo, terra, etc. nas queimaduras. Estourar as bolhas. Choque elétrico: neste caso, é quando a vítima de um acidente entra em contato com fios de alta tensão ou algo que gere energia. O socorrista deve ter cuidado neste caso e se proteger, isolando seu corpo para também não ser atingido. Desligar a fonte de energia ou solicitar o desligamento, usar sapatos e luvas de borracha, verificar se o piso está seco. Só proceda se estiver preparado, essa é uma situação de risco extremo, cuidado! São muitas as situações que podem ocorrer em um acidente e nem sempre saberemos o que fazer. Por isso, é importante não nos esquecermos de alguns princípios fundamentais do que pode ser executado e o que deve ser evitado na ocorrência de acidentes de trânsito. Confira:
Manter a calma e controlar a situação, avaliando o local na busca de identificar riscos para você e para quem estiver ajudando.
Garantir sua segurança por meio da sinalização do local.
Acionar a equipe médica de socorro como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) e o Corpo de Bombeiros 193.
Se identificar fios de alta tensão, entrar em contato o mais rapidamente possível com a empresa responsável e não mexer na vítima.
Não fumar ou fazer qualquer uso de fogo no local do acidente.
Sempre usar luvas de proteção.
Vimos algumas ações essenciais para os primeiros socorros e o que não fazer com a vítima, você sabe?
Cuidados com a Vítima (O que não fazer)?
Os primeiros socorros podem salvar vítimas quando executados de maneira adequada e correta por pessoas preparadas e capacitadas. Por isso, fique atento ao que NÃO se pode fazer:
Não omita socorro.
Não movimente a vítima.
Não tumultue o local do acidente.
Não abandone o local do acidente.
Não deixe de colaborar com as autoridades.
Não retirar as vítimas do local ou das ferragens.
Não dê remédios ou líquidos para a vítima ingerir.
Não retire os capacetes de motociclistas acidentados.
Você percebeu o quanto foi falado para não movimentar a vítima de acidentes de trânsito? A movimentação inadequada pode causar vários danos. Vamos entender melhor sobre isso?
Cuidados para não Movimentar a Vítima de Acidentes.
A recomendação é não movimentar a vítima ou movimentar o mínimo possível. Por que? Porque a movimentação incorreta da vítima poderá causar:
Danos maiores de uma lesão na coluna, provocando o deslocamento de uma vértebra, podendo passar pela medula espinhal, em consequência pode provocar paralisia dos membros ou ainda da respiração.
Piora de qualquer fratura do corpo, agravamento as lesões ou causando rompimento de vasos sanguíneos ou nervos.
Portanto, a movimentação da vítima apenas deve ser feita por uma equipe médica de socorro ou se tiver riscos de incêndio, afogamento, perigo do veículo cair, acidente no meio da pista com risco de novos acidentes. Também deve-se orientar aquelas vítimas que saem andando do acidente que elas não podem se movimentar e devem aguardar o atendimento médico. Para finalizarmos nossos estudos é importante aprendermos a manusear o extintor de incêndio. Vamos lá?
Extintor de Incêndio: Material não Obrigatório, porém Importante em Muitos Casos.
Em acidentes de trânsito, sempre existe o risco de incêndio, por isso deve-se estar preparado para usar o extintor. O extintor é um equipamento de segurança que pode extinguir ou controlar princípios de incêndios (2018). Existem cinco tipos diferentes de extintores: A, B, C, D e K. Para os veículos, a legislação exige o uso do agente triclasse: A, B e C. Classe A: madeira, borracha, plásticos, papel, tecido, etc. Classe B: óleos (exceto de cozinha), álcool, gasolina, solventes, tinta, etc. Classe C: equipamentos elétricos energizados, como motores, eletrodomésticos e transformadores, entre outros.
A Resolução nº 556, de 17 de Setembro de 2015 (CONTRAN, 2015), estabelece que é facultativo o uso de extintor de incêndio para os automóveis, utilitários, camionetas, caminhonetes e triciclos de cabine fechada, ou seja, é optativo o uso de extintor de incêndio nesses veículos. Os condutores que optarem por usá-lo deverão cumprir com as normas determinadas por essa Resolução.
Já para caminhão, caminhão-trator, micro-ônibus, ônibus, veículos destinados ao transporte de produtos inflamáveis, líquidos, gasosos e para todo veículo utilizado no transporte coletivo de passageiros, o uso do extintor de incêndio é obrigatório. Para usar o extintor de incêndio deve-se seguir os seguintes passos:
Passo a Passo para o Uso de Extintor de Incêndio.
É de responsabilidade do condutor conferir a validade e a pressão do extintor de incêndio regularmente, mesmo que não tenha sido usado. E, deve-se providenciar sua reposição imediatamente, quando o extintor for utilizado. Vídeo de resumo da unidade.
Para avançar para a próxima unidade você precisa sempre:
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Aguardar o tempo de aula acabar.
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Referencias bibliograficas: ABRAMET. Noções de primeiros socorros no trânsito. São Paulo: ABRAMET, 2005. CONTRAN – CONSELHO NACIONAL DE TRÂNSITO. Resolução nº 556, de 17 de setembro 2015. Torna facultativo o uso do extintor de incêndio para os automóveis, utilitários, camionetas, caminhonetes e triciclos de cabine fechada. Brasília, 2015. Disponível em: https://www.denatran.gov.br/images/Resolucoes/Resolucao5562015.pdf Acesso em: 16 set. 2018. INBEP – Instituto Brasileiro de Educação Profissional. Extintores de incêndio e suas funcionalidades. Santa Catarina, 2018. Disponível em: http://blog.inbep.com.br/extintores-de-incendio/ Acesso em: 16 set. 2018. ITT – INSTITUTO TECNOLÓGICO DE TRANSPORTE E TRÂNSITO (Coord.). Capacitação de Recursos Humanos. Curitiba, 2001, 144 p. Apostila do Curso de Formação de Instrutor de Trânsito. Módulo IV. Parte C. Noções de Primeiros Socorros e Medicina de Tráfego. Curso a distância. Versão 10.10.01.